Itajaí e Navegantes são cidades que partilham muito mais do que o rio Itajaí-Açu, mas também dividem problemas e soluções para eles, em uma sinergia advinda do fato de muitas pessoas trabalharem em uma cidade e morarem na outra e, pensando nisto, o Jornal O Navegantes ouviu, com exclusividade, o prefeito itajaiense, Volnei Morastoni (PMDB), que partilhou de suas ideias e mostrou como pensa em solucionar algumas destas questões que envolvem os dois municípios vizinhos.

ON – Prefeito, como o senhor avalia a falta de representatividade política da região da Amfri no âmbito estadual e federal?

VM – Eu costumo dizer que se os gestores públicos ficarem esperando pelo apoio e mobilização externa, vão passar os quatro anos do mandato sem realizar nenhuma ação relevante e não vão contribuir com a melhora da vida da população. Com certeza facilita, e muito, quando temos representantes da nossa região nas Câmaras Estadual e Federal, por isso sempre nos esforçamos para eleger um candidato da nossa cidade para compor a bancada catarinense. Fui o último deputado estadual eleito por Itajaí e sei da importância desta representatividade ao município. Porém, isso por si só não é suficiente. Nós precisamos ter uma agenda de reivindicações bem definida e provocar encontros. Só esse ano, estive diversas vezes em Brasília em busca de recursos para Itajaí. Conquistamos verbas para o porto, para a saúde, para saneamento básico e também acabamos de acertar um financiamento internacional de 62,5 milhões de dólares para mobilidade urbana, que vai modernizar o sistema viário de nosso município. Com muito empenho, também obtivemos o apoio da Embratur para divulgar nacionalmente a Volvo Ocean Race, maior evento náutico do mundo que aportará em Itajaí agora em abril. Não podemos ficar de braços cruzados e, em Itajaí, temos trabalhado para criar oportunidades de crescimento. Mas também é preciso um movimento de união para Itajaí e nossa região da Amfri ter maior representatividade política no Estado e na União.

ON – Um dos maiores problemas que afeta da mesma forma Itajaí e Navegantes é a falta de uma ligação entre as duas cidades, que se dá hoje por meio do ferry boat. O senhor é favorável a construção de uma ponte ou túnel fazendo esta ligação? Qual a importância de integrar estas duas cidades?

VM – É sempre importante retomar o debate dessa ligação, pois hoje estamos reféns ou da BR-101 ou da travessia por ferry boat, com filas quilométricas, principalmente na temporada de verão. Acredito que a ligação entre as duas cidades, seja por meio de um túnel ou de uma ponte sobre o rio Itajaí-Açu, precisa avançar e ser apoiada na prática pelo Governo do Estado e também por todos os municípios da região, por se tratar de uma obra importante para o desenvolvimento e para integração regional de Santa Catarina. algumas tratativas neste sentido já foram retomadas, mas é preciso avançar muito mais para transformar esse projeto em realidade.

ON – O Aeroporto Internacional Ministro Victor Konder atende toda a região e há anos um projeto de ampliação não sai do papel. Como os prefeitos da região poderiam agir para, em conjunto, buscarem a solução deste problema?

VM – A região da Amfri representa um importante polo turístico e também exportador de nosso Estado. Navegantes, vizinha da nossa Itajaí, é a grande porta de entrada aérea do Vale do Itajaí e do Litoral Norte, onde temos algumas das mais belas praias de Santa Catarina e até do país. Com a internacionalização do aeroporto e o aumento de passageiros, a ampliação do aeródromo se demonstra projeto perfeitamente viável, que com certeza impulsionará sobremaneira o crescimento e o desenvolvimento de todo o Estado. Sou totalmente favorável a realizamos um trabalho conjunto, envolvendo os prefeitos da região, para melhorar a estrutura do Aeroporto Ministro Victor Konder, que atende pessoas de vários municípios e trará um ganho real para todos. Este é um caso parecido com o que passamos aqui em Itajaí, na área da saúde, com o Hospital Marieta Konder Bornhausen. Aqui são atendidos pacientes de toda a região, mas nossa cidade tem o ônus de arcar com a maior parte da despesa e um auxílio maior dos municípios vizinhos, cujos cidadãos também são atendidos em Itajaí, seria fundamental para a unidade de saúde superar diversas dificuldades financeiras e oferecer um serviço ainda melhor a todos os pacientes, uma vez que o Marieta é o maior hospital da região e um dos principais do Estado.

ON – A indústria do turismo é um ponto de ligação entre Itajaí e Navegantes, porém, hoje não é pensado nem desenvolvido projeto no sentido de exploração conjunta desta área. Como o senhor imagina que esta potencialidade poderia ser melhor explorada?

VM – Itajaí historicamente tem um tripé econômico formado pelo porto, pesca e construção naval. Iniciamos o governo adicionando mais um importante setor nesta lista, que é o turismo. No ano passado, já retomamos a Festa da Tainha e a Festa do Colono, que foram bastante elogiadas pelo público, e trouxemos a nossa Marejada novamente para o calendário das Festas de Outubro, com uma nova roupagem, atrações e serviços de qualidade, um grande sucesso que trouxe turistas de várias partes do país. Além disso, também realizamos um Natal diferenciado, com corais e projeção 3D na Igreja Matriz, nunca visto antes por aqui. Ainda fomos palco do lançamento da campanha nacional do Ministério do Turismo e Embratur “O Sul é Meu Destino” e também da Temporada Náutica de Santa Catarina. São ações que, por si só, já mostram que estamos trabalhando para potencializar cada vez mais o turismo. E faremos muito mais. Neste ano temos a Volvo Ocean Race, maior regata de volta ao mundo, aportando pela terceira vez em nosso município de 5 a 22 de abril, evento que traz público não só Itajaí e região, como também de toda Santa Catarina, do Brasil e do exterior. Mas, além dos importantes eventos, temos belezas naturais em toda a região que precisam ser melhor exploradas. Muitas pessoas que vão ao parque Beto Carrero World, em Penha, ou a Balneário Camboriú, não sabem que em Itajaí ou Navegantes temos belíssimas praias e atrações naturais. É um desafio dos governos se unirem e proporem ações que façam com que esses turistas circulem por todas as cidades da região. Em Itajaí, por exemplo, temos o projeto de um belíssimo boulevart turístico e um novo píer de atracação de transatlânticos, que certamente trarão ainda mais visitantes para a nossa região. Estamos fazendo a nossa parte e somos totalmente favoráveis a essa união de esforços.

ON – Estamos entrando em um ano eleitoral, como foi falado no início da entrevista, não há representatividade política na área abrangida pela Amfri, tanto em Brasília como em Florianópolis. Como discutir candidaturas e auxiliar o eleitorado no sentido de apresentar propostas de pessoas que estejam imbuídas do propósito de buscar soluções dos problemas que afetam as cidades desta região, junto aos governos estadual e federal?

VM – Fui deputado estadual por quatro mandatos, sendo, inclusive, o único representante de Itajaí na Assembleia Legislativa em meu último mandato. Em 2003, fui eleito presidente da Alesc, quando também ocupei o cargo de governador de Santa Catarina por duas semanas. O povo catarinense, especialmente da Amfri, confiou no meu trabalho e trouxemos diversas melhorias e recursos para a região. Precisamos de uma união suprapartidária para reverter este quadro de falta de representatividade. É necessário, como acontece em outras regiões catarinenses, deputados estaduais e federais de Itajaí e dos demais municípios da Amfri. A população deve identificar isso e apoiar representantes que tenham compromisso com o nosso povo, com a saúde, a educação, a atividade portuária, a cultura, o turismo e o desenvolvimento sustentável.

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