Um projeto de mais de 30 anos na área do esporte deixa de existir em Navegantes. A famosa Escolinha de Futsal do Professor Adão sofre com a ausência de investimentos e auxílio por parte do Poder Público, segundo comissão de pais de alunos matriculados no projeto esportivo. Contudo, o professor Adão Goulart aponta também outros fatores, como a idade em que se encontra e a necessidade de reduzir as atividades.

As aulas de futsal para crianças de 6 a 12 anos eram comandadas pelo professor todas as segundas, quartas e sextas-feiras. Há muitos anos, Adão realiza o projeto de maneira voluntária. Quando começou a lecionar o esporte para os menores, em 1986, ele era concursado da prefeitura e recebia para tal. Hoje aposentado, com quase 80 anos, não recebe valores do Poder Público. O projeto, é claro, é muito especial para ele, o que certamente o fez não desistir dos seus alunos ao longo dos anos. Porém, na semana passada, Adão deixou o posto que ocupava na escolinha há 32 anos. Ao sair, eram cerca de 100 crianças matriculadas.

Mesmo com a despedida, o experiente mestre fez questão de não criticar diretamente a administração municipal. “As dificuldades que tive nem lembro mais e nem quero lembrar. Não vou falar mal, virar as costas e ficar metendo pau. O que puderam fazer para as crianças, fizeram. O que não fizeram, não fizeram”, comentou à reportagem.

Relembrou o período

Ainda assim, Adão relembrou seu período à frente do projeto. “Às vezes recebia alguma coisa, às vezes não. Alguém ajudava, um amigo, uma empresa, e íamos tocando assim”, reportou.

Comissão de pais

Segundo a comissão de pais de alunos da escolinha, Adão era colocado em uma situação complicada para aplicar suas aulas. Conforme relatou um dos pais, além de o professor não receber nenhum tipo de salário, a prefeitura não disponibilizava para os atletas água potável para beber (nem galão ou bebedouro) e ajuda de custo para lavar os uniformes. A única coisa de fato que a prefeitura cede para as aulas é o Ginásio de Esportes Domingos Angelino Régis, no Centro.

Fundação de Esportes

Segundo o superintendente da Fundação Municipal de Esportes (FME), Felício Costa, foi tentado resolver a situação, porém, por ser aposentado, não havia como a prefeitura pagar Adão de forma legal. A FME também não podia fazer repasses ao projeto que não era tocado por um funcionário concursado. Com Douglas Luciano da Silva e Juliana Jomes, professores que assumiram agora as aulas de futsal, a fundação pode fazer investimentos, sem desrespeitar as leis.

Lamentou a situação

Felício compreende a reclamação dos pais, diz respeitar muito Adão, e lamenta não poder ter feito mais para ajudá-lo. Quanto à questão da água, o superintendente avisa que o bebedouro oferecido aos alunos queimou e a prefeitura está fazendo uma licitação para a compra de um novo, o que deve ocorrer dentro de 15 dias. Durante esse período, um terceiro bebedouro será utilizado provisoriamente para oferecer água aos atletas.

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