A greve dos caminhoneiros completou seu quarto dia na quinta-feira (24) e, até o fechamento desta edição, não tinha previsão de término. Na quarta-feira (23), representantes do movimento se reuniram com membros do Governo Federal, em Brasília, porém não houve acordo. A paralisação se mantém pelo menos até hoje, sexta-feira (25). Caso o presidente Michel Temer (MDB) não apresente uma proposta que agrade a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), no sábado (26) os motoristas iniciarão paralisação total. Assim como o resto do país, Navegantes também tem sentido os efeitos do movimento grevista.

Na quarta-feira, mais de 81 pontos em estradas federais e estaduais em Santa Catarina contavam com manifestações dos motoristas. Em Navegantes, conforme a reportagem constatou, nenhum caminhão tem circulado pela cidade nem entrado através da BR 101 para a BR 470. Ao final da tarde de quarta-feira, terceiro dia da greve, havia uma manifestação de motoristas autônomos na rótula de Machados localizada na BR 470. Em cerca de uma hora de permanência no local, nenhum caminhão entrou cidade adentro. Inclusive, o fluxo de veículos de carga era praticamente nulo na rodovia e os poucos que circulavam, atendiam ao pedido dos grevistas para fazerem o retorno.

O terminal portuário da cidade, a Portonave, informou que nenhum caminhão tem entrado no porto, entretanto isto, por ora, não está prejudicando suas demais atividades tais como atendimento ao cliente e atracação de navios, ainda que naturalmente haja perdas financeiras.

Combustível

Como em várias partes do país, a paralisação fez com que os combustíveis não chegassem aos postos, e o mesmo ocorreu em Navegantes. No terceiro dia de paralisação, os estabelecimentos viram suas mercadorias esgotarem. Um posto no bairro do Gravatá começou a ter filas durante o meio da tarde de quarta-feira e em uma hora já havia acabado a gasolina comum, o etanol, restando apenas um pouco de gasolina aditivada – que veio a acabar mais tarde – e diesel. Por conta da greve, estendida pelo menos até hoje, os postos correm o risco de continuarem com as bombas secas durante o fim de semana.

Comércio em geral

Estabelecimentos como mercados e restaurantes também já sofrem com a falta de abastecimento. Jefferson Henrique, dono de um restaurante e uma pousada em Navegantes, além de ser dirigente da Associação de Bares, Restaurantes e Hotéis de Navegantes (Abrhon), diz que deve ficar desguarnecido nesta sexta-feira, ou no mais tardar, até o início da próxima semana, pois não recebe carnes de frango, suína e bovina há dias. “Se tudo não normalizar em até três dias, a gente vai ter que fechar as portas”, lamentou. Apesar de ver a situação como “alarmante”, ele afirmou ser “totalmente a favor” da paralisação. “Tem que haver uma melhora. Tudo o que os caminhoneiros passam… [Eles] estão trabalhando de graça”, opinou.

Aeroporto

Outro setor em risco é o aeronáutico. Apesar de o Aeroporto Internacional Ministro Victor Konder ter combustível para o funcionamento de suas aeronaves para, ao menos, até sábado, conforme boletim da Infraero divulgado na quarta-feira, importantes terminais no Brasil já sofriam com o racionamento naquela data.

Reivindicações

A principal reivindicação dos caminhoneiros é a redução da carga tributária sobre o diesel. Os motoristas pedem o fim da alíquota de PIS/Pasep e Cofins, e a isenção da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Nos últimos 12 meses, o preço do combustível subiu 15,9% na bomba, valor bem acima da inflação, de 2,76% no mesmo período, segundo o IBGE. O diesel hoje representa 42% do custo do frete. Por conta da situação, a Petrobras reduziu na quarta-feira o valor do diesel em 10% nas refinarias e o manterá assim por 15 dias. Apesar disso, o desconto representa menos de R$ 0,26 no litro do combustível.

Portonave

Em nota, a Portonave disse sentir, “os reflexos da greve nacional dos caminhoneiros. Em decorrência do movimento, o terminal recebeu nesta quarta-feira, dia 23/05, apenas 6% dos caminhões esperados. A Portonave é o maior movimentador de contêineres de Santa Catarina e recebe, em média, 1.600 caminhões por dia”.

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