A labradora Laika voltou a salvar uma vida na última semana. Pertencente ao Corpo de Bombeiros Militar de Navegantes, ela participou de uma ocorrência, em Penha, no último sábado (07), e acabou encontrando o homem de 40 anos que tinha se perdido na mata fechada, na região da Praia Vermelha.

Segundo os bombeiros, o homem saiu para fazer a trilha em caminho à cachoeira. Ele não conhecia o caminho e, portanto, pediu orientação aos vizinhos. O cidadão entrou na mata no fim da tarde, porém eventualmente acabou se perdendo. Apesar disso, estava com o celular e conseguiu acionar os bombeiros por meio do 193. Uma equipe foi até o local, com o binômio Cabo Schlickmann, a cadela Laika, e o bombeiro comunitário Jesus, que tinha conhecimento melhor da área. Em determinado momento, a vítima acabou enviando sua localização a partir do aplicativo WhatsApp aos bombeiros, facilitando a busca, mas ainda assim houve dificuldade no acesso ao local.

Após mais de duas horas de buscas, Laika entrou em ação. Ela fez uma varredura no local e depois entrou na mata fechada atrás da vítima. Cerca de 15 minutos depois, a labradora o encontrou e latiu para sinalizar sua posição. O homem estava bem, recebeu água e alimentos, e foi embora, sem precisar ser hospitalizado.

Longo trabalho

Laika e outros labradores são capazes de encontrar pessoas dessa maneira porque eles são treinados através da técnica do venteio, que nada mais é do que desenvolver a capacidade do animal de detectar vapores/odores/células liberados pelo corpo de uma pessoa. Porém, o treinamento não é fácil e leva tempo – aproximadamente dois anos. Schlickmann conta que pegou o cão no início de vida, em 2013, e de lá pra cá o vem treinando. Há cerca de dois anos, a cachorra foi certificada para realizar esse tipo de trabalho de buscas. Laika é utilizada em ocorrências de pessoas perdidas em matas, escombros, deslizamento de terra, desastres naturais em geral.

Amor e dedicação

Para treinar esses cães, é preciso muito amor e dedicação. Além do longo tempo de treinamento, os cachorros não ficam nos quartéis; eles ficam com os bombeiros que irão trabalhar ao seu lado, em casa, para criar um vínculo maior. Esse tipo de trabalho é voluntário e não há obrigatoriedade para que alguém dentro da corporação aceite. Ou seja, precisa ter disposição, paciência e amor por cães.

Navegantes

Em Navegantes, o número de atendimentos de resgate com a Laika não é muito alto. É uma média de duas chamadas por mês, mas há meses mais movimentados, como em janeiro, que em duas semanas foram sete ocorrências. Para o cabo Schlickmann, mesmo que sejam poucas chamadas, cada vida salva vale a pena.

DEIXE UMA RESPOSTA