O Instituto Geral de Perícias da 7ª Gerência Mesorregional de Perícias de Balneário Camboriú/Itajaí divulgou nesta semana o laudo do corpo de Gabriel Moreira, de 15 anos, morto durante operação policial no dia 17 de novembro, no bairro Gravatá. Conforme aponta o documento, o rapaz levou oito tiros de munição não letal (de borracha) e outros três com munição letal.

O relatório confirma que um desses disparos com munição letal atingiu o adolescente no lado esquerdo do pescoço enquanto ele estava de costas, já que o projétil entrou na parte traseira e saiu na frente. Outros dois tiros com munição letal o atingiram no braço direito e no pé esquerdo, onde o projétil ficou alojado.

Segundo a advogada que representa a família de Gabriel, Marina Moritz, os familiares ainda acreditam no excesso na ação dos policiais, o que seria corroborado com o laudo divulgado. “Estamos acompanhando o inquérito e aguardando ele ser finalizado para tomar as medidas judiciais cabíveis”, declarou.

O 25º Batalhão de Polícia Militar de Navegantes foi questionado sobre o resultado do laudo, porém informou que não será feito nenhum pronunciamento acerca do caso. Segundo o responsável pela comunicação do batalhão, o tenente Márcio Aquino, “não cabe mais a nós do 25º BPM nos pronunciarmos”, pois “o que dissermos não terá mais força de manifestação oficial da instituição, cabendo ao Comando Regional ou a Comunicação Social de Florianópolis”.

Inquérito policial

Em resposta pessoal – e não em nome da instituição – o tenente diz que se houve ou não erro dos policiais, isso será declarado exclusivamente após a conclusão do inquérito policial militar, que está sob responsabilidade do Comando Regional de Balneário Camboriú.

Manifestação

No sábado (25), às 13h, foi realizada uma breve manifestação por conta da morte de Gabriel. Amigos do falecido realizaram uma passeata no Gravatá e carregavam uma faixa com os dizeres “amigos até o fim”. Eles foram até o cemitério do bairro onde prestaram homenagens ao garoto. Não foi divulgado o número de pessoas presentes no manifesto.

Os fatos

Gabriel foi morto durante ocorrência policial no último dia 17. Os pais do garoto tiveram uma discussão após o almoço, fazendo com que ele ficasse altamente irritado, a ponto de os pais ligarem para a polícia pedindo ajuda na contenção do garoto.

Faca de cozinha

Gabriel então foi para a rua Francisco Schmidt e achou por lá uma faca de cozinha, a qual encontrava-se na sua cintura quando uma viatura da Polícia Militar chegou. Os agentes nem chegaram a entrar em contato com a família, abordando o adolescente diretamente na rua. A partir daí as versões se divergem.

Conflito de versões

Enquanto a PM alega que Gabriel não largou a arma branca e ainda partiu pra cima dos agentes, fazendo com que eles primeiramente atirassem com bala de borracha, em tentativa de contenção, seguido por munição letal, por sua vez testemunhas no local dizem que Gabriel deixou a faca no chão e, por conta dos tiros não-letais, se virou e iniciou uma corrida em direção contrária aos policiais, para tentar fugir dos disparos, e foi aí então que os policiais teriam efetuado os disparos letais – sendo que três deles acertaram o garoto. Os irmãos de 10 e 13 anos do falecido estavam na rua e presenciaram o homicídio.

PM defendeu

Em nota, a Polícia Militar defendeu a ação dos policiais e disse ter havido apenas três tiros com munição letal por parte dos agentes em campo. No entanto, conforme era visível no local, foram feitos pelo menos nove disparos com projétil real  – sendo que três atingiram Gabriel, enquanto os demais acertaram muros e portões de residências.

Júri popular

A representante legal da família diz que vai entrar com uma ação de responsabilidade do Estado pela ação dos agentes e irá acompanhar os inquéritos, em especial o da Polícia Civil, e pretende entrar com uma ação alegando homicídio doloso por parte dos agentes, pedindo que o caso vá ao júri.

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