Ser mãe é um dos ofícios mais importantes da nossa sociedade. Porém, as mulheres não nascem apenas para isso. Desde sempre almejaram algo a mais e elas conquistaram o direito de estar no mercado de trabalho – tanto por necessidade quanto pelo prazer de exercer sua profissão. Contudo, não é tarefa fácil conseguir conciliar as obrigações fora e dentro de casa.

Em algumas situações, elas precisam estender sua tarefa de mãe também no emprego, em especial quando se trabalha na área da Educação. Monitora da creche Rosana de Fátima Gaya Barreto, no bairro Gravatá, Berenice Vergutz diz que se esforça para dar toda a atenção possível aos seus alunos. Sua turma tem 23 crianças na faixa etária de três anos. “Muitos são carentes, entende. Falta atenção dos pais”, comentou. Nas seis horas diárias de trabalho, ela garante que oferece colo no tempo de brincadeira na sala ou no parquinho. Ter essa conexão com os pequenos é uma extensão da maternidade dentro do trabalho, e o carinho recebido é uma das gratificações. “Fico emocionada quando encontro eles fora da escola, às vezes no mercado, na rua ou na praia, e eles vêm correndo chamando, tia Bere”, relatou. Berenice trabalha na Educação há 11 anos, sendo os últimos cinco aqui em Navegantes. Ela tem dois filhos, uma menina de 18 anos e um garoto de 12.

Regina Correia

Graduada em Pedagogia, com cinco pós graduações em nível de especialização e uma em nível de mestrado em Educação, Arte e Cultura, Regina Célia Correia traz para o seu trabalho não apenas a ampla bagagem acadêmica, mas também a experiência que a maternidade lhe ensinou. Professora de Pedagogia na faculdade Sinergia e secretária da Educação, ela afirma “olhar para os meus alunos como desejei que os professores olhassem para o meu filho”.

Pais e professores

Pelo caminho profissional que segue, Regina entende que é necessário criar um caminho de convivência harmoniosa com os pais e reitera que isso exige trabalho intenso. “Ambas as partes precisam estar abertas ao diálogo. Muitos professores sentem saudade do tempo em que os pais respeitavam a autoridade da escola. Pois a participação na construção do caráter do filho de terceiros é algo extremamente sério”, pontuou.

Superação

Conseguir realizar a múltipla jornada diária (maternidade + administração da casa + trabalho + estudos) pode parecer impraticável, mas algumas mulheres dão um jeito, pois elas entendem muito bem de superação. A agente de educação Bianca Patrício tem 25 anos de idade e seu filho, Henrique José Tomaz, tem oito. A gravidez na adolescência poderia ter sido um obstáculo, mas com o apoio do companheiro e da família, as coisas deram certo para ela. “Estava terminando o ensino médio quando engravidei. Parei e retornei alguns anos depois”, contou. Ela só conclui os estudos quando o garoto tinha cinco anos. Hoje, ela consegue deixar o filho para trabalhar, mas com o coração apertado.

Lembrou do passado

A secretária de Educação relata que na época em que teve André Vinicius Nascimento, seu filho que hoje tem 28 anos, a estrutura de apoio público era extremamente precária, sem creches ou apoio às famílias. “No início ter uma criança foi um pouco assustador, pois era uma jovem de apenas 18 anos, porém com uma responsabilidade do tamanho do mundo. Aos poucos o medo foi dando lugar a um sentimento que é único e inigualável, o amor de mãe”, declarou Regina.

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