Em ritmo desacelerado, as obras da BR 470 continuam enfrentando problemas para serem finalizadas. O lote 1 da rodovia, que vai do km 0 até o km 18,61, entre Navegantes e Ilhota, deveria receber a duplicação em sua totalidade até os primeiros meses de 2019. Ao menos esta era a previsão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em agosto. Entretanto, a realidade agora é outra. Segundo o órgão, o Governo Federal cancelou R$ 43.819.289,00 da dotação orçamentária prevista para a obra.

Segundo o núcleo de comunicação do Dnit em Santa Catarina, o órgão vem se esforçando, juntamente com a bancada federal catarinense, para que os valores cancelados sejam repostos ainda este ano. Contudo, não há garantias.

O custo da obra total contratado no lote 1 é de R$ 246.590.344,50. Do montante, 42,62% já ganhou a execução financeira. Para finalizar as obras do trecho entre Navegantes e Ilhota, são necessários R$ 146.019.406,04 (saldo contratual a preços iniciais mais reajustes) para a conclusão, sem considerar desapropriações, sendo que deste total R$ 8.001.471,39 encontram-se empenhados e disponíveis para pagamento das medições dos serviços.

De agosto pra cá, praticamente não houve evolução no quadro das obras em Navegantes. A conclusão dos trabalhos, que iniciaram em 2014, passou de 40% para 40,75%.

Nos últimos três meses, não houve grandes mudanças nos outros três lotes da rodovia federal, mas ainda assim caminharam mais do que o trecho que engloba Navegantes.

Como estão?

O lote 2, do km 18,61 ao km 44,87, entre Ilhota e Gaspar, a conclusão das obras foi de 63,5% para 66,48%. O lote 3, do km 44,87 ao km 57,78, entre Gaspar e Blumenau, foi o que mais evoluiu — de 8,28% para 13,58%. Ainda assim, a conclusão deste trecho está bem distante. O lote 4, do km 57,78 ao km 73,18, de Blumenau a Indaial, ainda é o mais atrasado, pulando de 1% para 2,01% de conclusão.

Grandes problemas

A demora na conclusão das obras gera problemas para todos que trafegam na estrada. As modificações na rodovia complicaram o acesso em algumas entradas de bairros, como para a rua Onório Bortolato, conhecida como estrada geral de Pedreiras. Murilo Cordeiro (PT), por exemplo, enviou um requerimento ao Dnit/SC há cerca de três meses falando sobre outra situação, porém não obteve resposta. Por conta das obras de duplicação, “não deixaram um bolsão para entrar no bairro Areias. A pessoa tem que reduzir em cima da pista para dobrar à direita, de quem vem aqui do Centro em direção a Blumenau”, relatou o vereador.

Economia em crise

 

 

A economia do município também fica comprometida. Um dos exemplos é a Portonave. A BR 470 é o principal acesso para os caminhões que operam no terminal, que chega a receber dois mil caminhões em um dia de grande movimentação.

Portonave

Conforme o diretor-superintendente administrativo da Portonave, Osmari de Castilho Ribas, os gargalos na rodovia podem impactar em gargalos nas operações de gate, carga e descarta de contêineres. “A Portonave é referência em produtividade, temos um procedimento eficiente que resulta em tempo mínimo para o processo de entrada, saída e permanência do caminhão no pátio. Mas se a rodovia não é eficiente, existe essa ameaça”, comentou.

Risco para todos

“Sem falar que a não conclusão das obras também oferece riscos aos que transitam nessa via, sejam caminhoneiros, trabalhadores ou a própria comunidade”, ressaltou Castilho. A conclusão da duplicação da rodovia federal integra o potencial de crescimento do terminal portuário navegantino nos próximos anos.

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