Faltam alimentos. Para sobreviver, as pessoas estão comendo até carne de cachorro. Não há atenção médica, os hospitais estão fechados, nenhuma promoção sequer de saúde. Não há educação, segurança ou infraestrutura. “Infelizmente tudo isso está em chamas”, é o que diz Alba Mota, pedagoga refugiada da Venezuela. Ela é um dos 28 venezuelanos que estão instalados em Navegantes por meio de uma iniciativa social da Igreja Embaixada do Reino de Deus.

A igreja e suas afiliadas em cidades vizinhas como Itajaí, Florianópolis, Balneário Camboriú, Itapema e Camboriú iniciaram um projeto que estende as mãos aos companheiros de continente. Nesta empreitada, cerca de 500 venezuelanos virão para o estado. Nesta primeira leva, foram 230 pessoas remanejadas para Santa Catarina, sendo seis famílias, totalizando 28 integrantes, para Navegantes. A ideia é conseguir acolher e dar oportunidade dessas pessoas terem uma vida melhor.

Segundo o pastor Adriano dos Santos, responsável pela igreja navegantina, a congregação está acolhendo essas pessoas e irá se responsabilizar por elas durante três meses. Com a ajuda da comunidade e fiéis da entidade, foram locados três imóveis no bairro São Domingos – cada um deles acolhe duas famílias. “Estamos dando a eles uma condição de recomeçar. Alimentação, moradia, trabalho a todos, preparando currículos, levando ao mercado de trabalho dentro da habilidade e aptidão de cada um”, explicou o religioso.

Essas pessoas não vieram aleatoriamente. Primeiramente, elas migraram para Roraima, depois foram encaminhadas pelo Exército e Ministério das Relações Exteriores.

Fiscais da ONU

Antes de receber os venezuelanos, fiscais da Organização das Nações Unidas (ONU) estiveram em Navegantes para assegurar que haveria habitabilidade para os imigrantes, que já estão com toda a documentação brasileira em dia e aptos para trabalhar. Segundo o pastor Adriano, 52% desses estrangeiros possuem nível superior e alguns até pós-graduação.

Personagem do caos

Alba Mota está no Brasil desde junho. Antes de Navegantes, estava em Boa Vista. Sua vinda foi motivada pela esperança em um futuro melhor, com trabalho, atenção médica, mais educação e segurança. No pouco tempo, diz que “nos sentimos em casa”. A mãe, Maite Mota, relata emocionada a situação do seu país e da capital Caracas, onde moravam: “Não dá mais pra viver na Venezuela. A situação está cada dia pior, há insegurança, estão matando muita gente”. Desde a chegada no Brasil, ela conta que o povo brasileiro tem sido muito solidário, ajudando com dinheiro, roupa e comida. Maite ainda teve outras duas filhas: uma é farmacêutica e ficou na Venezuela, enquanto outra morreu de câncer.

Futuro melhor

Segundo Adriano dos Santos, ao acolher esta gente, a igreja está apenas cumprindo o papel intrínseco à fé cristã, que é o de estender a mão ao próximo. “O sentimento é de gratidão, alegria, em ver no rosto deles a esperança, numa dignidade, numa condição de futuro melhor”.

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