Discussões em torno da privatização do Aeroporto Internacional Ministro Victor Konder voltaram a ocorrer recentemente. Não que haja novidades sobre ampliação, desapropriação ou coisa parecida. O ex-deputado federal e estadual Paulo Bornhausen criticou o fato de o terminal navegantino não ser incluído na última relação de aeroportos a serem concessionados à iniciativa privada e, por tal motivo, ofendeu a classe empresarial de Navegantes por manter o terminal com a Infraero.

Ainda de acordo com Bornhausen, “o privado como um todo não se mexeu e o local colocou barreiras a pretensão, ficando arraigado na defesa da gestão da Infraero”, sendo um misto de “teimosia, falta de entendimento, de visão e de oportunidade”.

A briga, aparentemente, tem ligação direta com a luta da Associação Empresarial de Navegantes (Acin) por melhorias ao aeroporto. Principalmente nos últimos três anos, durante a presidência de Rinaldo Luiz de Araújo, todas as associações da região vêm trabalhando para forçar o Governo Federal a investir no município, já que é de interesse de todos. Para Rinaldo, é um bom momento para fazer pedidos à Infraero, já que o terminal navegantino é, hoje, o mais importante da região Sul, pois aeroportos como o de Porto Alegre e Florianópolis foram entregues à iniciativa privada.

Não é contra

O presidente da Acin diz não se opor à privatização do terminal, entretanto a preocupação da Rinaldo é com os termos e a pressa exigida repentinamente. Para ele, desde que seja apresentado um modelo em que a empresa que vier a ganhar a concessão tenha que honrar com investimentos anuais, respeitando o projeto de ampliação já existente, não haveria problemas. Entretanto, sem discutir esses termos – o que parece não ser de interesse de Bornhausen – o negócio pode vir a ser prejudicial a Navegantes.

Falta passageiro

Fala-se, por exemplo, na concessão para a mesma empresa que hoje administra o aeroporto da capital. Porém, Rinaldo não crê que haveria interesse por parte da responsável em intervir massivamente em Navegantes, sendo que há outro aeroporto há 100 km de distância; é competir contra si mesmo. Além disso, o número mágico para privatizar os aeroportos tem sido de, pelo menos, 3,5 milhões de passageiros ao ano. Ainda que tenha dado um salto de 25% no seu fluxo de pessoas transportadas em cinco anos e 8% somente no último ano, o terminal navegantino alcança agora a marca de 1,5 milhão de passageiros.

Parcimônia

Para o presidente da Acin, no modelo em que está, o aeroporto pode ser privatizado a qualquer momento, o que não se pode fazer é entregá-lo às pressas, sem a garantia de que os investimentos serão feitos e, uma vez entregue, não há mais o que fazer.

Sem diálogo

Rinaldo também ressalta que, apesar das críticas, Paulo Bornhausen nunca sentou à mesa para apresentar propostas ou debater o modelo de concessão do aeroporto de Navegantes com ele. O chefe da Acin diz que, caso seja a vontade de Bornhausen, pode se reunir já na semana que vem com o ex-parlamentar para que haja um debate real sobre a situação.

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