Entre sexta-feira (15) e segunda-feira (18), Navegantes foi castigada pelo volume anormal de chuva. Foram 248,41 mm de água em quatro dias. Esse número, segundo a Defesa Civil, é o equivalente a quatro meses de chuva no município. Em dezembro passado, a Epagri/Ciram previa aproximadamente 200 mm de precipitação pluviométrica durante o mês inteiro de fevereiro para as cidades do litoral e Vale do Itajaí.

Segundo levantamentos da Defesa Civil e da prefeitura, cerca de 12 mil pessoas foram afetadas direta e indiretamente no município por conta das fortes chuvas. Entre 700 e 800 pessoas tiveram que deixar suas casas temporariamente durante o fim de semana, com tempo variado de retorno de três até 12 horas. O resultado disso são estragos estimados num valor de, no mínimo, R$ 10 milhões entre prejuízos particular e público.

Conforme o secretário de segurança pública e diretor da Defesa Civil municipal, Johnny Coelho, as chuvas atingiram tanto comércios quanto residências, e os estragos são inúmeros, bem acima do que estimava o poder público, com empresas sofrendo prejuízos também pela falta de funcionários (que tiveram que lidar com os seus próprios prejuízos em casa e outros que sequer conseguiam chegar ao trabalho), além de corte de serviços básicos como telecomunicação, energia e até rede d’água. Alguns cortes dessa natureza chegaram a durar por até 24 horas.

Sem transporte

Até quarta-feira (20), ainda havia ruas alagadas em alguns pontos da cidade, como Meia Praia e Volta Grande. Neste último, especificamente, o serviço de transporte público ficou interrompido por quatro dias porque não era possível passar ônibus na região.

Obras na 470

Um fator que contribuiu para a piora da situação foram as obras da BR 470. Segundo Coelho, a empresa responsável pelos trabalhos na rodovia federal, o Consórcio AZZA/SOGEL, tem feito concreto injetado na pista e isso estaria danificando algumas galerias, como a do bairro Machados que foi totalmente danificada. “Além de assorear, ela obstruiu a passagem da água do Açude para o Ribeirão Santa Luzia, que vai para o Rio Itajaí Açu. Então toda aquela comunidade teve suas casas inundadas, com mais de 1,5 m de água dentro”, detalhou o Johnny.

Contato com o Dnit

Visto o caráter emergencial da questão, a prefeitura entrou em contato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), e o superintendente regional Ronaldo Carioni Barbosa permitiu que fosse realizado uma obra pela Defesa Civil numa galeria encontrada na rodovia federal, já que a concessionária responsável não havia dado suporte às solicitações do município. Os trabalhos ocorreram na segunda-feira (18), pela manhã, e até o final do dia já não havia mais água na região do Açude.

Investimentos

A prefeitura alega estar realizando os investimentos para prevenção das cheias, como limpeza de ribeirões, córregos e instalação de rede pluvial, tendo nos últimos dois anos instalado mais de 10 mil novos tubos na cidade. Segundo o secretário de Segurança Pública, o projeto de R$ 40 milhões do prefeito Emílio Vieira (PSDB) seria muito importante nesse sentido.

Drenagem

Na proposta está prevista, entre várias obras, a drenagem pluvial em diversos pontos da cidade, englobando os bairros Machados, Centro, São Domingos e Meia Praia. Porém, a proposição precisa ser entregue à Câmara de Vereadores, votada e aprovada pelos vereadores antes de ser posta em prática, e a oposição promete barrar o projeto, ainda que venha a beneficiar a população.

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