Nesta sexta-feira (08) é comemorado em todo o mundo o Dia Internacional da Mulher. Para celebrar a data, a redação de O Navegantes resolveu contar duas histórias bem diferentes, protagonizadas por mulheres, cujas idades também as diferenciam.

A primeira narrativa é sobre a pedagoga e educadora musical Lilian Cristina Camilo, de 31 anos. Sua história traz alguns obstáculos devido a sua orientação sexual. A segunda história tem como estrela a Dona Nica. Moradora do bairro Machados, onde reside no mesmo endereço desde que nasceu, tendo completado 90 anos de idade em setembro de 2018. Mesmo após nove décadas, a vitalidade não diminuiu em nada, estando lúcida e ativa, demonstrando ser uma das representantes do verdadeiro sexo forte.

Para começar, será apresentada a Lilian, gay assumida desde o início da vida adulta, mas já sabia que sentia atrações por mulheres e não por homens desde os oito anos de idade. Mesmo assim, para tentar agradar a família religiosa e conservadora, ela tentou engatar um romance com um homem, quando tinha 17 anos. A relação não durou muito – em torno de oito meses. Porém, pouco mais de um mês após o término, Lilian descobriu que estava grávida.

Ao invés de tentar um casamento, a mulher preferiu ficar sozinha com a filha, morando com os pais, e decidiu se focar nos estudos. Enquanto trabalhava de dia como monitora no município, à noite fazia faculdade. Foram tempos difíceis para ela, tendo uma adolescência muito complicada, com sua liberdade diminuída devido a sua sexualidade e uma luta contra a depressão. “Dentro da igreja, pensava que já tinha nascido condenada para ir para o inferno. Por mais que eu fosse boa, fizesse o bem, eu ia pro inferno. Meu fim seria esse com essas crenças limitantes. Você vai crescendo, vai amadurecendo, vai vendo que o mundo não é só aquela célula que tu convive”, desabafou.

União estável

Apesar de a família não aceitar totalmente a sexualidade de Lilian, este e outros obstáculo foram superados. Ela trabalhou em algumas escolas do município, realizou trabalhos sociais envolvendo música, sendo convidada a assumir uma cadeira na Academia de Letras do Brasil – Seccional Sinergia/Navegantes, e sempre teve o suporte dos amigos e da comunidade como um todo. Desde 2014, ela conta também com o amor de Ledinéia Correia, com quem tem uma união estável.

Família moderna

As duas moram juntas e formam uma família moderna. Com elas, vive a filha de Lilian, de 12 anos, e o filho de sua companheira, hoje com 14 anos. “A relação família é muito boa. Hoje eles nos veem como mães mesmo”, contou a pedagoga.

Dona Nica

Na outra história de vida para marcar o Dia Internacional da Mulher, a personagem tem o nome de batismo Ana de Souza Lourenço, mas todos a conhecem pelo apelido, Nica. Casada por 43 anos, perdeu o esposo Pedro há 23 anos devido a um câncer no estômago. A longa história do casal, no entanto, rendeu muitos frutos. Em meio a várias dificuldades e origem pobre, os percalços foram superados com amor e fé. Trabalhadores da roça, eles deram vida a 11 filhos, oito homens e três mulheres. Um acabou vindo a falecer.

Forte e saudável

Dona Nica é forte. Sua alimentação saudável, de antigamente, onde se consumia de arroz, torra de café até farinha, é uma das bases, segundo ela própria. A fé também é um ponto de equilíbrio para ela, que lê com frequência a bíblia.

Árvore genealógica

Da dezena de descendentes, vieram outros. Nica conta com 33 netos e 29 bisnetos. Rosimeri Felicio Rodrigues, de 46 anos, é a segunda neta mais velha de Dona Nica. Segundo Rosimeri, a vó continua extremamente ativa, fazendo várias atividades de casa. Uma delas é fazer docinho caseiro com frequência. “Sempre tem pra tomar café”, brincou a neta.

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