Natural de Ponta Grossa (PR), Sibelle Ferrarezzi Berti tem 40 anos e reside em Navegantes há 19, sendo controladora de tráfego aéreo no mesmo período. Ela é formada na área desde 1999 pelo Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA) de São José dos Campos (SP), e também em Logística, desde 2006, pela Univali. Ela é funcionária da Infraero desde 1996, quando tinha 18 anos. Com tamanho currículo, para alguns pode parecer que não há espaço para mais nada na vida dela. Todavia, Sibelle tinha a vontade de ser mãe. O ofício materno já conta com duas filhas.

Em meio à carreira, possuía o desejo de ter dois filhos, que pudessem crescer juntos. Primeiro veio a Ana Carolina, 9 anos, e a segunda, Gabriela, de 1 ano e 2 meses, chegou há pouco tempo, motivo pelo qual a controladora de voo está em licença maternidade. O bebê veio por meio de adoção, algo que Sibelle queria realizar. “Quando minha filha mais velha completou seis anos, conversei francamente com ela a respeito, mostrando todas as mudanças que ocorreriam em nossas vidas com mais uma criança. Ela, com muita alegria, quis uma irmã”, contou. A filha participou de todo o processo e vem curtindo a bebê junto com a mãe.

A jornada de trabalho de Sibelle é de seis horas diárias, em três escalas diferentes, nas quais pode ser escalada (das 6h às 12h; das 12h às 18h; e das 18h às 24h), tanto em dias úteis quanto fins de semana e feriados.

Não tem rotina

Conciliar os horários diferenciados é difícil, motivo pelo qual até datas de fim de ano, bem como outras comemorativas, nem sempre são possíveis de passar com a família. “Não ter rotina tem o lado bom e ruim, mas sempre se acerta com planejamento e muita conversa com os filhos, pra que entendam”, comentou.

Responsabilidade

Além dos horários adversos, a função exige muita responsabilidade. “Temos que manter o tráfego aéreo rápido, seguro e ordenado”, disse. “Todos os operadores querem decolar e pousar o mais rápido possível, agradando os clientes e diminuindo o custo operacional da aeronave”, continuou. “O peso da responsabilidade é constante”.

Lidando com vidas

“Trabalhamos com um tipo de transporte de alta performance, onde duas aeronaves de médio porte, como as das companhias aéreas que operam em Navegantes, que chegam a 800 km/h em rota, se estiverem voando de frente, terão suas velocidades somadas. No momento de fazer a separação, o raciocínio para decidir o que fazer para separar aeronaves tão velozes, tem que ser instantâneo”.

Tempo para tudo

Mãe solteira, Sibelle conta com o auxílio de amigos, parentes e uma babá, que está na função desde os cinco meses de Ana Carolina. Mesmo tendo que se virar em várias para dar conta da vida atribulada, ela afirma que ser mãe “é definitivamente um amor incondicional”. “Conseguimos dar conta de tudo o que é preciso pelos filhos. Se antes deles achava que não tinha tempo pra nada, estava enganada: com eles tenho tempo para tudo”, finalizou.

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