O brasileiro aprecia uma boa cerveja e há alguns anos as cervejas artesanais vêm ganhando espaço no mercado. Elas ainda são minoria no cenário nacional — representam apenas 5% do mercado das marcas nacionais, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja. Contudo, tem alto grau de crescimento — uma média de 30% a 40% ao ano. A expectativa é que as brejas artesanais alcancem o dobro de vendas em até cinco anos, estima a associação. Tendo em vista o potencial da área, há na região pessoas investindo nela, inclusive em Navegantes.

Eduardo Monteiro era analista de processos até o ano passado. Ele sempre teve interesse no mundo da gastronomia, mas nunca tinha tido aproximação com o universo cervejeiro, até que teve uma oportunidade de fazer o curso de cervejeiro caseiro na Escola Superior de Cerveja e Malte, localizada em Blumenau. “Vi que o mundo da cerveja não era diferente do mundo da gastronomia. A adaptação pro mundo da cerveja foi legal e me dei bem por conta disso, por gostar de cozinhar”, contou Eduardo, que fez o curso em janeiro deste ano e em março iniciou a produção da sua própria cerveja.

Produção modesta

A produção ainda é modesta, porém ele tem uma clientela fiel. Ele fornece suas bebidas para alguns pontos de venda em específico, para conhecidos e também as oferece em um grupo em uma rede social. Com água, lúpulo, levedura e malte na composição, Eduardo produz sozinho uma média de 150 litros de cerveja por mês. É o que ele consegue fazer. O preparo não é o problema, mas sim a maturação – o processo leva, em média, de 25 a 40 dias. A estrutura dele ainda não permite que grandes quantias sejam armazenadas para esta etapa. A intenção dele é investir no próximo ano nesse setor para que consiga aumentar a produção e, com isso, faturar mais.

Investimento inicial

O investimento inicial para montar a estrutura que lhe permitisse realizar a produção das bebidas foi de R$ 10 mil. Para uma produção ainda mais modesta, Eduardo diz que cerca de R$ 1,5 mil já permite um bom trabalho, com três panelas de alumínio capazes de fazer até 20 litros. Ele já apostou em recipientes maiores, com a capacidade total de 90 litros, pois visava sua potencial demanda, que hoje já supera suas projeções iniciais.

Diferenças

A cerveja artesanal tem algumas diferenças do que as tradicionais industrializadas. O uso do malte e ingredientes especiais são mais presentes nas brejas caseiras do que em marcas conhecidas do mercado nacional – alguns dos principais rótulos do mercado nacional utilizam milho em sua composição ao invés de malte da cevada, a exemplo da Skol, Kaiser, Artartica e Brahma.

Slack Brewing

A bebida artesanal costuma ser mais cara do que as tradicionais, porém o teor alcoólico é maior na caseira. Na produção de Eduardo, sob a marca Slack Brewing, ele produz o tipo Lager com 4,5% a 7,5%, e as Ales com 6,5% a 9% de presença de álcool na cerveja.  Em uma marca tradicional, a cerveja costuma ter entre 2,5% a 5% de volume alcoólico.

Doces e pães

Além de preparar a cerveja, Eduardo também consegue conciliar sua admiração pela gastronomia. Ele aprendeu a utilizar o malte que sobra da preparação das bebidas na confecção de doces, como cookies, e pães. Na fabricação do pão com o malte, há uma redução de 40% no uso da farinha branca. Ou seja, alia o reaproveitamento de ingredientes com alimentação mais saudável – além de faturar também com a venda desses produtos.

 

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