Panelinha da prefa

A história das férias concedidas ao vereador licenciado e secretário de Obras, Sebastião Alves da Silva (PSDB), vulgo Meio Kilo, é um exemplo claro e contundente de como a política pode ser injusta com o contribuinte, que é achacado por impostos e taxas, os quais acabam parando nos bolsos daqueles que são amigos do rei, neste caso da rainha, a secretária de Administração Karlile Cugnier, que é quem autorizou este escárnio e bate no peito, dizendo ter autonomia, concedida pelo prefeito, para fazer o que bem entender com o dinheiro público.

Impostos no ralo

O leitor já deve ter lido as matérias publicadas nesta edição, mas a pouca vergonha é tanta, que faço questão de recontar aqui. Meio Kilo é servidor efetivo e faz jus a um salário, com todos os penduricalhos, de R$ 3.031,75. Esteve na Câmara até o dia 19 de abril de 2017, data em que fora nomeado secretário de Obras. Passados 90 dias deste trabalho, saiu em férias e recebeu a título de adiantamento, o 1/3 de férias, R$ 3.269,33, ou seja, 107,83% do salário de efetivo. Ainda que por suposto isto não seja ilegal como defendem alguns, é totalmente imoral e fora de propósito.

Por que ilegal?

Para mim, posso estar errado, afinal sou jornalista não advogado, há flagrante irregularidade, pois Meio Kilo não somou tempo suficiente para o gozo de férias, não tendo direito aos 10 dias que tirou, muito menos aos três mil e tantos reais que recebeu. Meu embasamento está em um pré-julgado do Tribunal Superior do Trabalho, que em determinada ação, entendeu que a soma do período de férias encerra quando o servidor se afasta, sem prejuízo ao salário, o que aconteceu com Sebastião em 2016, que ficou três meses afastado para concorrer ao cargo de vereador, recebendo seu salário integral.

Por que imoral?

Pode parecer ofensivo, mas em minha opinião, e tenho direito a externá-la, pelo ponto de vista ético, este 250 gramas, digo Meio Kilo, se assemelha a um sociopata, alguém com compulsão pela mentira. Ano passado se apresentou aos eleitores dizendo querer ser vereador, pedindo o voto. Uma vez conquistada a cadeira, decidiu que não queria mais ser vereador, sim secretário de Obras. Nomeado gestor da pasta, decide que não quer trabalhar, quer férias e benefícios de marajá. Deve estar de brincadeira com a cara do cidadão navegantino que trabalha honestamente e paga seus impostos.

Há de investigar

E além do mais, nos meses de janeiro e fevereiro, enquanto estava na Câmara, Sebastião Alves recebeu também como servidor da Prefeitura Municipal de Navegantes, salário integral, apenas em março tirou licença sem remuneração. Já solicitamos o registro, o livro ponto, para certificar as horas realmente trabalhadas no início do ano, mas também há flagrante irregularidade neste fato, pois ele deveria ter se afastado para exercer a vereança. Pelo visto, os amigos do rei, ou da rainha secretária de Administração, tudo podem neste governo.

Muito suspeita

Mas quem pensa que esta secretária Karlile Cugnier é livre de qualquer suspeita, engana-se. A mulher responde a dois processos na Justiça. O 0003500-92.2015.8.24.0135, uma ação civil pública, por suposta improbidade administrativa, e o 0003498-25.2015.8.24.0135, uma ação penal, por suposto crime praticado por funcionário público contra a administração em geral. Ou seja, parece que deixam a raposa cuidar do galinheiro, depois não reclamem de flagrantes de irregularidades.

Vamos e venhamos

Esta senhora Karlile tem todo o direito de se defender das acusações do Ministério Público, mas deveria fazer, bem longe de um cargo comissionado. Por certo o MP, na verdade seus promotores, são seres humanos, porém, suscetíveis a erros, mas há um processo em curso, com delação premiada e robustez de provas de que houve não um, mas diversos ilícitos no caso apurado. Portanto, quem nomeia uma pessoa assim para cuidar do dinheiro do contribuinte, no mínimo está com o juízo curto.

Um adendo

Quero aqui reiterar que acredito de todas as formas na seriedade, honestidade e retidão de caráter dos prefeitos, eleito Emílio Vieira (PSDB), em exercício Donizete José da Silva (PSB). Sei que na política por vezes precisamos nomear pessoas por apadrinhamentos e isto leva a erros. Mas neste caso específico das férias e salários do Meio Kilo, levarei o fato ao Tribunal de Contas e Ministério Público, sem contar que os vereadores estão a par da situação. Então é bom que a dupla que chefia o Executivo se resguarde, para que, havendo ilegalidade, não seja solidária na causa lá na frente.

Passa a régua

E para finalizar e concluir, vivemos a maior crise econômica da história da República. Empresários fecham suas portas e acabam com postos de trabalho todos os dias, muito em função da exacerbada cobrança de impostos por parte do Poder Público. O dinheiro do contribuinte tem de ser aplicado com parcimônia e sabedoria. Na iniciativa privada, ninguém sai de férias sem que tenha adquirido o direito. Quando sai, recebe abono de 1/3 de férias, não 107,83% como este tal Meio Kilo. Vamos aguardar para ver o que os órgãos competentes farão para conter, o que, em meu entendimento, é o mais desavergonhado e periclitante escândalo de apropriação indevida na atual administração.

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