Sem mérito, sem honra

A situação envolvendo o secretário de Assistência Social, Juliano Nildo de Maria, desnuda a falta de eficiência de um governo montado por indicações puramente políticas. Juliano há anos depende de nomeações públicas para trabalhar, pulando de galho em galho, de cargo comissionado em cargo comissionado. Momento algum, ao menos enquanto esteve grudado nas tetas da Prefeitura de Navegantes, exerceu função condizente com sua formação. O resultado é incompetência, deixando uma mulher grávida de nove meses, vítima de violência doméstica, e sua filha de cinco anos, dormindo em uma delegacia.

É absurdo

O secretário negou auxílio ao que há de mais sagrado neste mundo, uma mulher com um filho no ventre e outro no colo. Quem lembra das imagens de Juliano de Maria, juntamente com Alcídio Reis Pera, o Cidinho (que já fora condenado a prisão por suposta corrupção), retirando caixa de remédios de um prédio da prefeitura? Na ocasião, ele disse que seria para a mãe que se encontrava doente. Ou seja, para sua própria genitora consegue medicamentos em caixas, mas a uma cidadã comum, que não era amiga do rei, relegara um banco de delegacia, em uma noite fria.

Idiossincrasia

O que chama atenção é como a sociedade está em colapso. Juliano, quando vereador e presidente da Câmara, foi implicado em corrupção, na compra de produtos e serviços para o Legislativo. Mesmo assim, continua empregado no cargo em comissão, de confiança do prefeito, ganhando salário de marajá. Ainda com tais privilégios, se omite em auxiliar uma gestante em grave situação de perigo e passou o domingo (17) curtindo todos os luxos que o dinheiro público pode comprar. Já o policial que atendeu a ocorrência, sujeito honesto, preparado para a função que exerce, precisou estudar, passar em concurso para depois fazer jus a um salário quase de fome, sendo ele, esse verdadeiro herói, quem acabou por dar guarida para a mulher grávida, tirando dinheiro do próprio bolso para alimentar mãe e filha.

Quem você prefere?

Vale frisar ao público leitor que Juliano de Maria poderá ser candidato nas eleições do ano que vem. Resta saber como irá proceder o eleitorado, de que lado estará. Se do secretário, detentor desse conjunto da obra explanado, passado e presente manchados por escândalos, ou se irá optar por candidatos que representem esse policial, ou digamos, a nova política, pessoas que tenham nome a zelar. Para finalizar, isso não iria ocorrer em um país sério. Nesses lugares, ninguém investigado por corrupção consegue ficar tanto tempo agarrado em uma teta pública, tal qual um marisco incrustado na pedra.

Eu estava lá

Acompanhei dois depoimentos na Comissão Especial de Inquérito que investiga a fraude do Plano Diretor de Navegantes. O primeiro, assisti parcialmente, do atual procurador adjunto do município, Fernando Wolfram Rulf. Ele participou ativamente de todo o processo. Foi questionado pelo relator, vereador Murilo Cordeiro (PT), se ele teria visitado vereador(es), em 2016, pedindo a ele(s) que votasse(m) favorável(eis) ao projeto de lei que iria tornar oficial o texto mandado para a Câmara naquele ano, pelo então prefeito Roberto Carlos de Souza. Membro do Legislativo soprara em minhas horrendas orelhas, apenas reproduzo, que certo vereador jura de pé junto ter recebido a visita de Fernando, lá atrás, induzindo à aprovação daquela fraude, digo, proposição. Faltou óleo de peroba

Nervoso e impreciso, em minha opinião o procurador adjunto ensaiou um texto, mas não colou. Pior, disse ter tido acesso a determinados documentos recentemente, após o prefeito Emílio Vieira (PSDB) ter pedido a abertura de processo administrativo para investigar essa tramóia. Emílio está careca de saber que Fernando estivera envolvido em todo este episódio. É preciso ter estômago forte para entender e admitir o que aconteceu com o Plano Diretor. Desde a contratação até a reprovação do texto, é conteúdo suficiente para ruborizar até mesmo bandidos famosos. Voltando à oitiva, está gravado, basta consultar, a prefeitura abriu uma investigação, mas a deixou a cargo de quem tem as digitais na cena do crime.

Óbvio ululante

Não estou prejulgando ou dizendo que Fernando tenha culpa nas irregularidades cometidas neste espetáculo policialesco. Por certo, também não o estou eximindo, apenas conjecturando. Apurar culpabilidade e definir se há penalidade a aplicar é prerrogativa dos vereadores, do Ministério Público e do Poder Judiciário. Seguindo o raciocínio, se não estiver envolvido de nenhuma forma, o doutor não é o mais indicado para apurar fatos. Afinal, se não os enxergou enquanto esteve envolto em todo esse mar de lama, certamente não o fará agora.

Cereja do bolo

Ponto alto foi o depoimento do ex-secretário Cassiano Ricardo Weiss, que está afastado de suas funções, por ser investigado no processo que apura a máfia dos alvarás. Não irei tecer grandes observações a respeito. Penso, se sério fosse o Brasil, ele sairia da Câmara algemado. No final, Cassiano tentou ameaçar, constranger, afrontar, sabe-se lá o termo adequado, dizendo algo do tipo – os vereadores terão de explicar suas emendas ao promotor. Entendi por ameaça. Murilo e Paulinho Melzi (PSD) subiram o tom, o clima pesou e a cobra fumou. Este néscio e roliço caça letras gostou do que viu, mas confia apenas no promotor Marcio Gai Veiga e na Justiça para ver essa novela passada a limpo e os responsáveis punidos.

<>SOBE<>

Sábado (23) será dia de limpar o rio, unindo a força de empresas e entidades, engajadas não só em recolher lixo, mas em deixar um exemplo de cidadania

<>DESCE<>

Até o fechamento da coluna não havia solução anunciada para o encerramento da greve dos servidores que entrara no sétimo dia, penalizando a comunidade

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