Editoria: Opinião / Por: Renato Sandrini – jornalista 44.852/SC

Caso de polícia

No dia 30 de outubro de 2015, uma sexta-feira, por volta de 16h30, um cidadão saiu de uma loja de artigos esportivos, na avenida Conselheiro João Gaya, em Navegantes, altura do número 1300, proximidades da Caixa Econômica, dirigindo-se até sua moto, uma CG 150 Titan ESD, placas MEK 2531, quando foi abordado por dois marginais, um deles com arma em punho, um revolver calibre 32, oxidado. Os bandidos deram voz de assalto e subtraíram o veículo do rapaz que nada pôde fazer, apenas assistir a fuga dos assaltantes.

Ato contínuo

No dia 1º de novembro do mesmo ano, um domingo, por volta de 16h40, a PM recebeu a denúncia de que dois rapazes estavam em atitude suspeita, em um estabelecimento comercial, o Cantinho do Colono, chamado atendido imediatamente. Quando chegarem ao local, os policias militares, Leonardo Volante Borges e Juliano Corrêa dos Santos, abordaram os marginais, sendo que um deles permaneceu no local, o outro se evadiu em uma motocicleta. O meliante que permaneceu no local estava com uma arma na cintura, um revolver calibre 32, oxidado.

Assaltantes presos

Uma viatura que dava cobertura à ocorrência conseguiu fazer a abordagem do rapaz que fugiu com a moto e os dois meliantes e o veículo foram conduzidos até a delegacia. Depois da apuração dos fatos e de reconhecimento feito pela vítima – o proprietário da motocicleta – restou provado que os marginais em atitude suspeita e devidamente abordados e detidos eram os mesmos que haviam cometido o assalto a mão armada dois dias antes, sendo a CG 150 em posse dos delinquentes o produto daquele roubo e o revolver o mesmo utilizado naquela ação criminosa.

Por que do assunto?

O leitor deve estar se perguntado os motivos que fazem com que este caso policial seja contado aqui neste espaço que deveria ser destinado a fatos políticos, mas basta um pouco de paciência, chegaremos lá. O marginal que fora abordado em posse da arma de fogo utilizada no assalto chama-se Lucas de Souza Trindade, sendo o proprietário do Jornal Leia, veículo de circulação capenga, às vezes circula outras não. Ele aparece no expediente do impresso como diretor-presidente e na Junta Comercial figura como o proprietário da empresa que edita este jornal, cuja periodicidade exige a utilização de palavra inventada no meio publicitário, devezenquandário.

Atrás das grades

Tudo o que narrei até aqui consta do processo número 0003937-36.2015.8.24.0135. Lucas Trindade foi condenado a uma pena de 10 anos e seis meses de cadeia por assalto a mão armada, posse de arma e adulteração de veículo automotor, sem o direito de recorrer em liberdade. O bandido recorreu da sentença de 1ª instância, mas teve a pena confirmada pelo Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina que apenas abateu dois meses da privação de liberdade. Cumpre a pena no Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí, a Canhanduba.

Para se fazer entender

Minha indignação com este fato é que tempos atrás, o vereador Cirino Adolfo Cabral Neto (PMDB) pediu que fosse votada uma moção de repúdio, contra um jovem que escreve em uma rede social, em uma página que possui hoje mais de 30 mil seguidores. O rapaz houvera ofendido alguns vereadores e teria incorrido na prática de calúnia e difamação, fatos já levados ao conhecimento das autoridades competentes e que tramita nos meios legais. A tal moção fora motivada porque o blogueiro estava em vias de ser contratado para um cargo em comissão na Secretaria de Segurança.

Não é justo

Não tenho simpatia alguma pelo rapaz em questão, pois também fui vítima de postagens que em meu entendimento ultrapassaram os limites da liberdade de expressão, mas não posso ficar calado se identifico uma injustiça. O blogueiro foi repudiado e ficou sem o emprego, sem que juiz algum tenha julgado se houve ou não o crime de calúnia e difamação. Porém, aquele assaltante condenado, hoje cumprindo pena na Canhanduba, recebe mensalmente verbas publicitárias da Câmara de Vereadores. É empregado um peso em um caso e uma medida no outro, penso haver aí grande contradição.

Cadê a lei?

A Câmara vem empregando verba pública, todos os meses, em um jornal cujo dono é bandido, de acordo com a Justiça do Estado de Santa Catarina, com condenação em segunda instância, o que penso ser ilegal pois pessoa nesta situação não pode, segundo lei municipal, ser contratado para cargo público, tampouco contratar com a administração. Ademais, o tratamento dado ao jovem detentor da página no Facebook foi completamente diferente. Se pretendem moralizar, que façam isto em todos os níveis, não tratando cada caso de acordo com os interesses pessoais deste ou daquele.

Confio nele

Penso que o presidente da Câmara, vereador Samuel Paganelli, não tinha conhecimento destes fatos e que agora irá rever a situação. Em mais de 20 anos de imprensa, já respondi e respondo a processos, sempre em decorrência do exercício profissional, por conta de meus textos, faz parte do jogo. Nunca perdi um processo sequer até aqui. Inclusive tem uma vereadora que acha que me calará com processos, mas está muito enganada, inclusive acaba de sofrer um revés no Ministério Público. Salvo se o dono do Jornal Leia não venda anúncio como adquiri moto, com uma arma em punho, este contrato precisa urgentemente ser encerrado.

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