Por Renato Sandrini – Jornalista 44.852/SC – Editoria: Opinião

Escultura = Governo

O caso desta escultura que caiu antes mesmo de ser inaugurada é idêntico ao governo municipal, que parece desmoronar dia após dia, com estrutura fraca e mal planejada. O que mais chama atenção é que o monumento cultural fora questionado em redes sociais e a chefe de gabinete do prefeito Emílio Vieira (PSDB) tomou as dores e saiu em defesa. Depois que caiu, a Prefeitura mais do que depressa lançou mão de um comunicado, dizendo não ter responsabilidade por tal obra. Como assim não? Fora aprovada pela equipe técnica da Fundação de Cultura.

Descaramento

Vale ressaltar que a sobrinha de Emílio é quem comanda a Cultura. A obra fora custeada com recursos particulares, mas recebeu o aval técnico do governo e os valores empregados serão retirados dos impostos que o financiador privado repassa ao município. É dinheiro que faltará para a educação, saúde, infraestrutura ou para pagar as contas da Prefeitura, que virou uma péssima pagadora e acumula dívidas com fornecedores. Há de se tirar a responsabilidade da empresa que financiou, pois esta recebeu um documento com aval do Poder Público. Deve ter acreditado que o projeto teria sido bem avaliado.

Triste realidade

Não me traz alegria escrever sobre o atual governo, principalmente porque este néscio e barrigudo caça letras votou em Emílio Vieira, acreditando que a cidade seria bem conduzida, mas infelizmente não é isto que acontece. Estou rouco de tanto falar nas contratações de pessoas com histórico de desvios de dinheiro público, já condenados, ou em vias de serem. Parece haver uma pasmaceira generalizada no paço municipal e quem paga a conta é a população, principalmente a parcela dos mais necessitados, aqueles que dependem significativamente do aparato público.

Caloteira

A Prefeitura, antes vista como boa pagadora, hoje preocupa credores, não pagando contas. Falta o básico nos órgãos públicos como água, material de limpeza e, pasmem, até papel higiênico. Enquanto isto, o senhor Sebastião Alves da Silva, vulgo Meio Kilo, secretário de Obras, com dois meses de trabalho, recebeu férias e uma bolada sobre o salário em comissão. Ainda gozou dez dias de folga, um terço do previsto, mas recebeu o valor integral do benefício, que também deveria ter sido parcelado. Os amigos do rei têm direito a tudo, já o cidadão navegantino fica a ver navios, chupando o dedo.

Ainda há tempo

Caso não haja uma correção de rota na administração municipal, este grupo político tende a se esfacelar, tal qual o dito monumento da via portuária. Faz-se premente um choque de gestão, com a colocação de pessoas honestas para administrar a cidade. Um governo precisa ser e parecer honesto e quem se cerca de corruptos, condenados ou denunciados, nunca irá transparecer honestidade. Prova disto é a CPI que paira na Câmara Municipal que pode comprometer em muito o prefeito.

Falando nisto

Por falar em esfacelamento deste grupo político, esta semana o Congresso Nacional aprovou a mini reforma eleitoral e a mesma terá consequências em solo dengo-dengo. A começar pela definição de uma janela, em março de 2018, para que políticos com mandato possam trocar de partido, sem correrem o risco de cassação. Quem deve sofrer substancialmente com tal decisão é o PSDB, partido que está no poder desde 2009 e vive profundo desgaste. Uma das baixas mais sentidas será do presidente da Câmara Municipal, vereador Samuel Paganelli. O doutor deve levar muita gente com ele.

Faz muito bem

A mudança de Samuel Paganelli, que irá para o PSD, é uma resposta ao tucanato, pois o vereador, o mais votado da história de Navegantes, nunca fora valorizado no PSDB. Para ser presidente do Legislativo, algo que seria natural pela expressiva e histórica votação que recebera nas urnas, precisou brigar dentro do próprio partido e não fossem os votos da oposição, sairia derrotado da disputa. Além disto, quase nenhum pleito de Paganelli fora atendido, sendo até mesmo desrespeitado, o que é inadmissível frente ao eleitorado que representa.

Nasce uma força

A cúpula peessedebista sofrerá duríssimo golpe, não só em perder um de seus principais quadros, mas porque verá nascer uma força expressiva nas fileiras do PSD, que passará a ser a maior bancada do Legislativo. Já os pessedistas terão muito a comemorar, pois o ganho de filiados será exorbitante não somente em número, mas também na qualidade dos mesmos. Terá um bom nome para a disputa da vereança em cada bairro da cidade. Desta forma, com o fim das coligações para a proporcional, lei já aprovada, deve nadar de braçada nas eleições municipais de 2020, podendo eleger o próximo prefeito.

O rei está nu

Passarinho mais do que confiável piou nos ouvidos deste abilolado colunista que em breve a situação ficará feia para o ex-prefeito Roberto Carlos de Souza, arrolado pela operação Lava Jato, suspeito de ter recebido R$ 500 mil em propina da Odebrecht, para vender à corrupta empreiteira um patrimônio dos navegantinos, o sistema municipal de água. O Rei, codinome de Bob nas planilhas encontradas pela Polícia Federal, deverá ser denunciado nos próximos dias pela Justiça Federal de Itajaí. Queria ser deputado, mas precisará rezar é para não virar presidiário.

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