Uma polêmica ganhou espaço nas redes sociais em Navegantes. Alguns alunos da Escola Municipal Professora Idília Machado Ferreira foram flagrados sendo trazidos e levados em cima de uma Tobata, fato que tomou grandes proporções dentro da cidade.

O responsável por levar essas crianças é José Caldeira. O senhor é avô de duas das crianças, enquanto também aproveita para trazer outros alunos, mesmo que não tendo grau algum de parentesco com ele. No entanto, a prática é contra as normas de trânsito, já que o veículo não oferece aos passageiros nenhum tipo de segurança, além de não estar emplacado. A justificativa para isso é a falta de um ônibus para pegar os alunos. Há cerca de um mês o veículo do município que fazia essa função estragou.

Segundo a secretária de Educação, Regina Célia Correia, hoje existem seis ônibus disponíveis para alunos do município, porém ela garante que não é obrigação de Navegantes disponibilizar transporte para esses alunos que moram num raio de distância de menos de seis quilômetros da escola ou que possuam outra escola mais perto de suas casas. O correto, conforme Regina, seria continuar atendendo com os ônibus os bairros Machados (que não oferece escola fundamental exceto pelo CAIC), e parte de Pedreiras e Volta Grande.

Inviável

No entanto, não há como oferecer transporte para todos os alunos da rede municipal. “É uma questão para a família cuidar. Ela tem que ter responsabilidade também. Tenho 15 mil alunos. Teria que ter 500 ônibus, 500 motoristas e 500 monitoras. Olha o custo para o município”, destacou.

Alto custo

Os ônibus constantemente precisam ir para manutenção devido ao uso regular deles e o custo não é baixo. O último ônibus reparado custou R$ 36 mil. O Governo Federal, através do programa “Caminho da Escola”, lançado em 2010, faz um repasse para ajudar a manter esses veículos, porém a cifra é tímida perto dos gastos constantes: R$ 20 mil anuais, o que já seria ultrapassado somente pelo reparo de um único ônibus.

Gestão passada

Toda a situação, no entanto, nasce de um problema criado pela própria administração e secretaria na gestão passada, ainda sob o comando de Roberto Carlos de Souza e Nerozilda Pinheiro Ferreira, já que as matrículas para o ano em vigência acontecem em novembro do ano anterior. As quatro crianças que vinham sendo diariamente trazidas de Tobata à escola Idília não moram em Navegantes e sim em Penha.

Irregularidade

Na ficha de aluno de um dos netos de José, que estudam respectivamente no sexto e no primeiro anos, consta que é residente na Rua Onório Bortolato 7500, porém no próprio comprovante de residência em anexo consta que a residência fica na Estrada Geral de Santa Lídia, em Penha. Sequer há esta numeração na Onório Bortolato.

Problema idêntico

O caso mais emblemático é o das outras duas crianças, alunos dos primeiro e terceiro anos. Em suas fichas, consta que elas moram na Rua Onório Bortolato, nº 4743, em Navegantes. No entanto, conforme nossa reportagem apurou, esse endereço não existe. Novamente, o comprovante de residência mostra que os endereços não batem. O número da casa é o certo, porém o logradouro é Estrada Geral de Santa Lídia, em Penha.

Tem escola próximo

Quase seis quilômetros separam a residência da escola Idília. Tentamos encontrar a mãe das crianças, Adele Ferreira Caldeira, porém na quarta-feira (06), às 10h43 nossa reportagem esteve em sua casa, mas ela não se encontrava. Entretanto, um fato curioso chama a atenção: aproximadamente a 100 metros de sua casa há uma escola, a Escola Municipal Cipriano Silvino Custódio. Conversando com a direção da unidade escolar, descobrimos que ainda há vagas para as duas séries dos filhos de Adele ali.

Sem necessidade

Logo, não haveria necessidade de fazer os filhos percorrerem quase 12 km diariamente para irem a uma escola em outro município. Inclusive, eles nem poderiam estar matriculados na rede municipal de ensino de Navegantes.

É crime

Por conta dessa situação, os pais das crianças e o servidor público que efetuou a matrícula poderiam responder por crimes: de falsidade ideológica e de inserção de dados falsos em sistema de informação da administração pública.

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